Carne seca na moranguinha

Prato do dia: carne seca na mini moranga. Versão mais urbana

Na panela de barro cortada em cubos, uma versão mais rural.

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Mãe te amamos

Retrato da minha mãe do ponto de vista Gourmet

Mineira, 75 anos, inteligente, nem baixa nem alta, nem gorda nem magra, se veste bem, tem bastante sapatos, e todos tem de ser confortáveis. Cozinheira de mão cheia, rápida, curiosa, viaja prá caramba (a mala fica na porta sempre arrumada… hahaha), esperta, religiosa, conselheira, sábia, boa comerciante, sensível e fala prá caramba!!!

Dados profissionais:

Empregada doméstica, quituteira de festa, proprietária da Loja “Novidades Marisa”, Dona de lanchonete “Lanches Caçula”, compradora de pneus e outros assuntos de carpintaria, vendedora de enxoval, quituteira de novo, proprietária de confecção atualmente.

Já foi meio trambiqueira, também, mas não era culpa dela. Morávamos perto do Paraguai e quando ela atravessava a fronteira Brasil-Paraguai adorava comprar tecidos da china prá gente. Nesta época coisa da China era chique mesmo.Então, as paraguaias ensinavam a tirar o forro do casaco de pele que ela tinha e prendiam os tecidinhos de seda no forro para passar a fronteira. Olha gente, ela só fez isso uma vez e nós todas de vestidinhos fofos. Ela herdou não sei de quem um bom gosto danado por se vestir.

Bom, uma homenagem a ela e lembranças de um tempo muito bom. 

Minha mãe perdeu o pai e a mãe com nove anos de idade. Foi trabalhar como empregada doméstica com esta idade. Sua maestria na cozinha, bom gosto para se vestir e bom senso para as coisas deve-se muito a este tipo de trabalho onde ficou até os 18 anos, quando casou com o meu pai que tinha 8 irmãos. Daí que tiveram seis filhos. A época que retrato aqui estávamos morando no Mato Grosso.

Isso mesmo: Mato Grosso do sul, hoje.

Minha mãe dizia que tínhamos ido que nem gato no saco. (Depois eu explico isso). Saímos de São Paulos capital e fomos para um lugar chamado Glória de Dourados.  Sabe o que tinha lá? Uma serra de serrar madeira com uma lona em cima e uma casa de madeira. Sem energia elétrica, água de poço etc etc. sem sanitário. Meu pai adorava madeira e foi convencido  a ir pra este fim de mundo. Nem era prá ficar rico, coitado. Era a aventura do novo e vontade de vencer na vida.

Então,

Que coisa mais delícia quando chegava o leite em casa. Chegava à porta, isso mesmo sim senhora! Ele vinha em litros e hoje seria chic reutilizar garrafas. É sustentável prá lá,  reutilizável  prá cá. Bem, faziam várias bolsinhas no tecido de saco e colocavam os litros arrumadinhos de um lado e do outro do burro, ou cavalo, sei lá o quê.

Olha o leite!

Pegar, ferver e tomar. Nata por cima. Enxaguar a garrafa, devolver para o leiteiro.

Isto mesmo: devolver. Uma ação perfeitamente sustentável, não?

Você já viu nata em cima do leite? Era tão grossa que eu juntava elas em um vidro (reutilização tb) e quando o vidro estava cheio eu balançava ele tampado até separar a gordura do soro. Colocava água, balançava mais, até aparecer só manteiga bem amarelinha. Esta era a manteiga mais pura que já comi na minha vida. ÊEh sustentabilidade!!!!

O pão? Minha mãe fazia muitas vezes e eu faço até hoje. A manteiga ela me ensinou e não deve nem se lembrar disso mais.

Eu não morava no mato não senhora. Era só uma cidade pequena, onde saía descalça, andava na água da chuva e não pegava  frieira nem  doenças.

Minha mãe tinha fogão de lenha.

Você já pensou em levantar antes dos seis filhos, colocar lenha no fogão para acender o fogo para fazer café? Ela levantava.  E também fazia aquelas bistecas bovinas bem suculentas e macias na chapa de ferro do fogão de lenha. A  mandioca derretia na panela. Ai, que  combinação perfeita!!!! Hoje tem que ser maturada para ficar boa e mesmo assim fica uma porcaria de dura e sem aquele sabor! Hum.

Ah, as tortas!!

Minha mãe fazia uma torta de maça, delícia. Maça era artigo de luxo naquela época, só importada.  Se a gente ficava doente a primeira coisa que ofereciam era maça.

 Ela sempre esperava meu pai para cortar um pudim, um bolo ou uma torta. Ninguém mexia antes. Colocava a torta lá em cima do “guarda comida”. O que é isso? Era um armário, oras, a gente não tinha geladeira, então guardavamos as coisas no “guarda comida”.

Um dia ela fez cocada e eu subi na primeira prateleira para “roubar” uma cocada e buummmm!!! o armário virou inteiro em cima de mim. Meu pai estava passando a tempo de levantá-lo e o susto foi bem feito prá mim!!!!

A sorte é que minha mãe dizia ao meu pai quando ele ficava bravo com algum copo quebrado:

- Benzinho, se não quebrar nada a fábrica de copos fecha! Hahahaha até parece que nós éramos os donos da fábrica de copos, né? Mas ela tinha uma preocupação social muito interessante, não acham?

Vocês devem ter pensado: Mas como eles viviam sem geladeira?

O leite vinha na porta todos os dias.

Comprava-se carne todos os dias.

Também passava o “bucheiro” com uma carroça. Tocava uma buzina avisando que estava passando.  Vendia: coração, rim, bucho, miolo e outras coisas mais que não me lembro. Era meio esquisito, mas eu comia “miolo” a milanesa e isso é prato chique se você não sabe.

Só para nós que não era.  Era apenas minha mãe variando o cardápio.

O carrinho de verduras passava todo dia.

Ah, também passava um carrinho recolhendo restos de frutas e comidas para levar para os porcos. Coitado deles! Não sei quem inventou que porco tinha que comer aqueles restos. Mas gente era tão sustentável, né? Suinos hoje, ok?

Milho, manga, laranja, batata doce e outras coisas mais ganhávamos de saco.

Milho? As vizinhas se juntavam embaixo de uma enorme figueira no fundo do quintal, ralavam um a um e papeavam, papeavam e ralavam, espiga por espiga. Não tinha liquidificador e nem colesterol também.

Colocavam uma lata de 20 litros de água no fogo. Não sei que tipo de coisa vinha na lata, mas isso era reaproveitamento, portanto reutilização, de novo! E era pamonha que não acabava mais.

Saudável,

não transgênico. Afinal o que era transgênico na época? Coisa de comer ou de beber?

Tinha o dia da bolachinha de amoníaco.

Minha mãe fazia a massa junto com uma vizinha.  A gente tinha uma máquina de moer carne em casa e um cilindro para massa. Passava-se a massa no cilindro e depois na máquina. Saiam tirinhas torneadas que eram assadas forma por forma, e depois passadas no açúcar e tcham, caíam na lata. Reaproveitamento de outra lata grandona de novo. Cheia de biscoitos.

Acho que por isso amo tanto bolachinhas. Todas elas.

Ah, estou lembrando do doce de banana. Esse eu devia ter uns 4 anos. Bom, como hoje estou com 52 anos deve ter sido muito delícia comer doce de banana, bem apuradinho, bem marronzinho dentro de uma lata de 20 litros de novo. Depois reutilização é coisa moderna…..hahaha . Vou pesquisar com minha mãe de onde saíam estas latas.

Será que eram de gordura? Ou você não sabia que naquela época minha mãe comprava o toucinho de porco (suíno, para ficar mais chique) e cortava em pedacinhos bem miúdos e fritava até virar gordura. Os pedacinhos ela colocava um salzinho que a gente comia com pão ou virava pão de torresmo. Ai, que sabor. Qualquer fandango hororroso que se preze sairia morrendo de vergonha deste combinadinho. Não, gente ninguém sabia que existia o triglicérides.

A poluição era a poeira da nossa rua que não era asfaltada. Mas até onde eu soube, poeira era bom para pele. Devia ser mesmo e acho que agia como filtro solar he he.

Ah, os salgadinhos! Estes merecem um capítulo a parte.

Coxinha de frango com a massa feita no caldo de frango. Perfeitas, todas do mesmo tamanho. Desculpem-me, não encontrei até hoje quem faça igual a ela.  Risóles, bolinha de queijo, empadas, esfirras e croquetes. Este foi um ganha –pão dela de muito tempo, pois minha mãe apesar de tanto trabalho sempre ajudou nas despesas de casa. Ela dizia: prefiro fazer mil salgadinhos a fazer um bolo recheado. E olha, que pegou uma vez três mil salgadinhos.

E tomava coca cola para não ficar enjoada de ver recheio e massa na frente dela. Droga, eu não queria dar este mole prá coca cola, mas era isso que minha mãe fazia mesmo.

Hoje não tomo esta droga nem para enjôo.

Eu sei que tudo que minha mãe faz é muito gostoso. Verdurinhas refogadas, arroz, feijãozinho muito bom, doce de abóbora cristalizado, doce de figo!!! Hum que delícia. Volta e meia ela acha figo ou sempre tem uma colega ou uma vizinha que doa. Fui para o interior estes dias e estou com uma compoteira cheia. Doce de abóbora com casquinha durinha por fora e molhadinho por dentro, sem química nenhuma, só dedicação e prática mesmo.

E hoje ela ainda vem prá minha casa e fala para as pessoas:

- Ela cozinha bem, você precisa ver!!

Ué minha escola foi tua cozinha, né mãe? Depois de tudo isso alguém tinha que gostar de cozinhar.

Ai, to indo para cozinha pegar uma laranja. Minha mãe ama laranja. Não falta na fruteira dela.Está no DNA.

Ah, ela vai ganhar o primeiro bisneto e eu vou ser avó do primeiro neto no final do ano.

Beijinhos mamãe. Deus te abençoe hoje e sempre.

Da filha

Lu

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Sábado de folga

As vezes meu marido entra na cozinha. Para cozinhar, lógico. Então aproveito a minha folga que não é todo dia.

Nada mais simples e saboroso: berinjela, abobrinha, pimentão, cebola, e medalhão de filé todos bem grelhadinhos regados ao azeite, alho e tomilho………………..e tem a banana para adocicar o prato. Não preciso nem de arroz. Hum estava delícia, papi.

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Um dia frio

Canja para aquecer e uma vontade danada de bolo de maracujá com glaçê “casquinha de açucar”. Saiu os dois e fiquei feliz. Lógico, né queria mostrar minha chaleirinha fofa que achei pelas minhas andanças em São Paulo.

Dá licençaaaa, que o bolo da foto e o chá são meus. Delícia!

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Compota de Goiaba


Yes, nós também temos goiabas!!!!!

O Brasil é um dos maiores produtores de goiaba do mundo. Além do custo baixo ela tem 3 vezes mais vitamina C do que a laranja, é saborosa e tem baixa caloria.

Ultimamente estou lembrando muito da infância das minhas filhas. Acho que a culpada é a Carol que ficou grávida. Deve ser isso. Quando elas eram pequenas eu fazia este doce e a caçula dizia que era “língua de sapo”. Estes dias eu estava no mercado e não me contive quando vi as goiabas maduras…………..bateu aquela nostalgia. A Fran chegou em casa e disse ” que cheiro de casa de vó”. Era o maravilhoso perfume da goiaba e o cravo na panela. Ela não resistiu, brincou com a goiaba e ainda comeu a sobremesa antes do jantar.

Receitinhaaaaa???

10 goiabas maduras (descascadas, cortadas ao meio, sem sementes). Se você quiser, faça uma boa geléia com a parte onde ficam as sementes.

02 xícaras de açucar

05 cravos da índia

Meia xícara de água

Compre goiabas bem maduras mas firmes. Enquanto você está preparando a goiaba, leve ao fogo uma panela com 02 xícaras bem cheias de açucar, os cravos e meia xícara de água. Deixe ferver até ficar em ponto de bolhas e meio grossa. Terminou as goiabas? Coloque arrumadinhas na panela.

O que vai acontecer: a goiaba vai soltar água na calda, vai ficar espumante e líquida e quando evaporar volta novamente ao estado de calda meio grossa. Não mexa só tire a panela do fogo de vez em quando e balance para não grudar no fundo. Engrossou a calda? Tá pronta…………………………….ai aquele queijinho mineiro……..hum!!!!


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Ainda vou aprender esta receita

Depois eu passo para vcs. he he

beijiiiinnn

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Um franguinho daqui Ó

Deu aquela preguiça de domingo mas vc não abre mão de um franguinho feito em casa? È simples, não preciso nem escrever a receita…. Mais um suflêzinho de cenoura. hum delícia!!

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